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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Quatro Perguntas Centrais Sobre o Batismo Infantil

Pr. Dorisvan Cunha

Honestamente, não tenho intenção neste vídeo de dar uma resposta ao Marcos Granconato, até mesmo porque, quem sou eu para dar uma resposta à altura a uma pessoa tão credenciada e tão preparada. Minha intenção é apenas ajudar meus irmãos que creem no batismo infantil a darem razão de sua fé. Quero responder quatro perguntas que geralmente são feitas para aqueles que tem o costume de colocar o sinal da aliança em seus filhos.

1   – PRIMEIRA: PORQUE COMPARAR BATISMO E CIRCUNCISÃO, SE JESUS DISSE QUE O NOVO TESTAMENTO É UMA NOVA ALIANÇA?

Bom, em primeiro lugar, quando o Novo Testamento fala de Nova Aliança, ele não está falando de outra aliança, mas sim da mesma aliança Abraâmica, só que agora em uma nova fase. Por exemplo. Apocalipse 21 fala de “novos céus e nova terra”. Mas sabemos isso não significa outra Terra, pois a palavra novo ali significa novo restaurado e não totalmente novo. Ou seja, significa a mesma terra, mas renovada e restaurada, conforme Paulo fala em Romanos 8.
Isso quer dizer que quando Jesus veio ao mundo, Ele não inaugurou outra aliança totalmente distinta daquela do Antigo Testamento. Nós cremos que Jesus é o cumprimento da Aliança. Cremos a aliança com Sete, Noé, Abraão, Moisés, Davi são apenas diferentes estágios da mesma aliança, cuja concretização final se deu na pessoa de Jesus de Nazaré. Vou provar isso de duas maneiras:

1 – Primeiro: quando ao mediador da aliança.

Lembrem que após a queda, Deus prometeu enviar o descendente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). A Bíblia inteira gira em torno desse descendente. Gálatas 3.16 diz que esse descendente é o mesmo que foi prometido a Abraão e depois a Davi. Por esta razão, Mateus inicia seu evangelho dizendo: “livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1.1).
Obviamente, Mateus está escrevendo para Judeus e quer provar que Jesus é o Messias, por isso sua genealogia volta-se até Davi e Abraão, pois para um Judeu, o Messias teria que surgir da linhagem de Davi, e ser descendente de Abraão.
Mas, o evangelista Lucas vai muito além de Mateus, e faz uma volta no tempo regressando até Adão. E ele diz que Jesus é da descendência de “Cainã, que era filho de Enos, que era filho de Sete, que era filho de Adão, filho de Deus.” (Lc 3.38). Ou seja, Jesus é o descendente prometido a Adão e Eva em Gênesis 3.15. Ele veio e esmagou a cabeça do Diabo, cumprindo assim as promessas do pacto da Graça.
Isso nos faz crer que não há várias, mas apenas uma aliança, do qual Cristo é o mediador. Agora, não esqueçamos que na época do Antigo Testamento este pacto era administrado de forma diferente do NT, mas a essência era a mesma. Em Colossenses 2.16-17 Paulo diz que no Antigo Testamos tínhamos as sombras, agora temos a concretização que é Cristo.

2   – Segundo: quanto ao povo da promessa

Paulo diz que a descendência de Abraão, ou seja, o povo da promessa, nunca foi o povo judeu em si. Interpretando Gênesis 12.3 que diz que “em ti serão abençoados todos os povos”, Paulo diz em Gl 3.8 que com essa promessa Deus estava anunciando o Evangelho a Abraão. Em outras palavras, Deus estava anunciando que os gentios também são parte da aliança juntamente com os judeus.
Isso fica muito mais claro em Romanos 9, quando Paulo responde a seguinte pergunta: “será que a Palavra de Deus falhou pelo fato dos judeus segundo a carne não terem crido em Jesus?” Paulo argumenta dizendo que a Palavra de Deus não pode falhar.
Mas, o que teria acontecido então? O que aconteceu é que nem todos os de Israel, ou seja, nem todos os judeus, nascido da descendência física de Abraão são de fato israelitas, ou seja, nem todos são filhos de Deus. Paulo argumenta que a verdadeira descendência é o povo da promessa, aquele que tem fé, e não os da carne de Abraão. Nesta base, Paulo diz aos gálatas que todos aqueles que estão em Cristo também são descendentes de Abraão, e herdeiro segundo a promessa (Gl 3.29).
De acordo com Paulo, nem mesmo a Lei de Moisés invalidou a única aliança de Deus. Em Gl 3 Paulo argumenta que a Lei foi entregue a Moisés, não para contradizer a aliança, mas para denunciar o pecado e assim nos conduzir a Cristo. De modo que é a justiça da Lei que nos conduz ao mediador da aliança.
A grande questão é que na Aliança, desde o Antigo Testamento, a Criança recebia o sinal do pacto, que era a circuncisão. Só que, de acordo com Romanos 4.11, a circuncisão era o sinal da fé. Mas, mesmo sendo um sinal de fé, a criança recebia este sinal, mesmo sem ter fé. E porque recebia? Porque Deus quis incluir as crianças no seu pacto. E quando Cristo veio e cumpriu todos os ritos cruentos da lei, então, todos os ritos de sangue foram abolidos. A páscoa foi substituída pela ceia, e a circuncisão deu lugar ao batismo. Agora, o Batismo é o sinal da fé nesta nova fase da aliança. E em sendo o Batismo o sinal da fé no Novo Testamento, nós o colamos nas crianças pela mesma razão que se colocava o sinal da fé nas crianças no Antigo Testamento.
O Batismo substituiu a circuncisão.

2 - SEGUNDO: PORQUE BATIZAR CRIANÇAS SE JESUS DISSE QUE O BATISMO É SOMENTE PARA QUEM CRER?

Bom, como disse, batizamos porque Deus sempre incluiu as crianças na aliança da graça, mesmo sem elas terem capacidade para exercer fé. Com a idade de oito dias, todas as crianças deveriam receber o sinal da aliança.
No caso de Abraão (adulto), ele abraçou a fé depois de adulto. Ele creu e depois foi circuncidado. Ou seja, ele tinha fé antes de receber o sinal da fé. Esta regra permanece até agora, por isso Jesus diz: “Quem crer e for batizado”. Ou seja, todo adulto deve primeiro crer no Deus de Israel e depois receber o sinal da Aliança.
Mas, seu filho Isaque recebeu o sinal da fé antes que tivesse a fé que o sinal simbolizava. Isso quer dizer que Deus tratou as crianças de maneira diferente dos adultos. Elas receberam o sinal da fé sem poderem exercer fé. Elas não podiam crer, mas mesmo assim Deus as incluiu no pacto da graça e permitiu que, pela fé de seus pais, elas recebessem o sinal.
Deus jamais exigiria fé das crianças porque elas não podem exercer fé. Por isso ele ordenou que o selo da fé fosse colocado nelas também.
Agora, se você acha que o sinal da fé deve ser colocado apenas nos adultos porque somente eles podem exercer fé, então, como você me explica Romanos 4.11? Pois ali se diz que Abraão creu em Deus e por isso recebeu o selo da fé. Mas, Isaque também recebeu o selo da fé, sem ter fé. Como explicar isso?
Nós não negamos que a fé deve vir antes do batismo, mas somente no caso de adultos, pois como Deus exigiria fé das Crianças para fazerem parte da aliança, se elas não podem Crer? Nesse caso elas estão fora da aliança? Nesse caso elas estão condenadas, porque o texto diz que quem não crer será condenado?
Pelo contrário, nós cremos que as crianças do Senhor, mesmo não podendo exercer arrependimento e fé, fazem parte do pacto, vão para o céu e devem receber o sinal do pacto, pois o reino pertence a elas. Então, essa segunda pergunta está refutada.

3 – TERCEIRA: PORQUE BATIZAR CRIANÇAS SE NÃO HÁ NENHUM MANDAMENTO NO NOVO TESTAMENTO ORDENANDO QUE ELAS SEJAM BATIZADAS.

Essa pergunta pode também ser usada contra aqueles que negam o batismo infantil. Eu já demonstrei biblicamente que existe uma só aliança e que as Crianças sempre fizeram parte desta aliança de Deus, desde o Antigo Testamento. A minha pergunta é: existe algum texto claro no Novo Testamento dizendo que as crianças estão excluídas da Aliança no Novo Testamento?
Lembrem que os apóstolos são judeus e que para eles é natural que isso aconteça. Não foi isso que Pedro disse: “para vós outros é a promessa, e para vossos filhos”. Hendriksen que diz que isso é um eco da promessa de Deus a Abraão de ser um Deus para ele e seus descendentes pelas gerações vindouras e Pedro inclui as crianças na promessa do pacto.
Ele mencione três tipos de pessoas:
1 – Vós: ou seja, os adultos
2 - Vossos filhos: ou seja, os filhos dos crentes.
3 – “Todos os que estão longe, a quantos chamar o Senhor nosso Deus”: ou seja, os demais eleitos de Deus que haviam de crer no Evangelho no futuro.
Por isso, creio que era desnecessário a menção de um mandamento ordenando que se coloque o sinal da aliança nas crianças, tendo em vista que esta era a prática comum da aliança, desde o Antigo Testamento.
Agora, se Deus quisesse mudar isso na aliança, aí sim, eu creio que Ele providenciaria um mandamento ordenando que não se colocasse mais o sinal da aliança nas Crianças. Mas, isso nós não vemos no Novo Testamento.

3 – QUARTA PERGUNTA: PORQUE BATIZAR CRIANÇAS SE NÃO HÁ NENHUM EXEMPLO DE BATISMO INFANTIL NO NOVO TESTAMENTO.

Responderei da seguinte maneira: como você sabe que os apóstolos não batizaram crianças? Tem algum texto que mostre isso?  Parece que as evidências apontam o contrário, pois o que se diz é que os apóstolos tinham costume de batizar famílias inteiras.
Por exemplo. Eles batizaram:
1.    A família de Cornélio (Atos 10);
2.    A família de Lídia (Atos 16.14)
3.    A família do carcereiro de Filipos (Atos 16.31-34)
4.    A família de Crispo (Atos 18)
5.    A família de Estéfanas (1 Coríntios 1.17).
Ora, você argumenta que os apóstolos não batizaram crianças, mas eu pergunto: como você sabe que eles não fizeram isso, uma vez que era costume deles batizar todas as pessoas da família? Como você sabe que não tinha crianças nessas famílias?
Jesus ensinou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. O reino de Deus pertence também aos “pequeninos”.
Portanto, esse argumento também é auto-destrutivo.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Culto é Como Deus Ordenou


Segurança Eterna


Em Efésios 3.11 Paulo diz que Deus tem um eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor. Em Romanos 8.28 o apóstolo afirma que todos nós fomos chamados segundo este propósito.
O que isso significa? Afinal, qual é o plano de Deus para o seu povo?
Paulo resume esse plano com cinco declarações extraordinárias:

1 – Em primeiro lugar, Paulo diz que Deus nos conheceu eternamente (v.29). Nos conheceu no sentido de um relacionamento íntimo. Ou seja, Ele nos amou com amor eterno. Sendo assim, a fonte da nossa salvação não está em nós mas, tão somente no amor de Deus.

1. No plano, além de amados, fomos predestinados para a salvação (30). “Aos que conheceu ele os predestinou.” Predestinar significa escolher antecipadamente. Deus nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis (Ef 1.4). Foi uma eleição incondicional, conforme o conselho da sua própria vontade.

2. No propósito de Deus, Ele determinou que os predestinados, seriam chamados eficazmente (30). “Aos que predestinou ele também chamou.” Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz e elas me seguem”. Ele escolhe e ele chama. Ao chamar o Espírito Santo muda as disposições íntimas da alma, por isso é um chamado irresistível. Jesus disse que “Todo aquele que meu Pai me dá, esse vem a mim e o que vem a mim, de modo algum eu o lançarei fora”, ou seja, é um chamado eficaz.

3. No plano eterno, Deus também decidiu nos justificar (30): E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou”. Justificação é o ato de Deus em que Ele declara o pecador justo, com base nos méritos de Cristo. Em Cristo, Deus nos declarou inocentes em seu tribunal, “aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós para que nós fôssemos feitos justiça de Deus”.

4.    No propósito de Deus também consta que aos que Deus justificou a esses também glorificou (30). Essa é a garantia da vida eterna. Mesmo vivos na terra, já temos a garantia da vida eterna, pois já estamos assentados à direita do Pai, nos lugares celestiais, em Cristo Jesus. Pelo decreto de Deus o céu já uma realidade para os eleitos, de modo que verdadeiro cristão não pode perder a salvação porque do começo ao fim é uma obra exclusiva da graça de Deus.

Que diremos, pois a vista destas coisas:

1. Se Deus é por nós, quem será contra nós?
2. Aquele que não poupou o seu próprio Filho, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?
3. Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?
4. Quem os condenará?
5. Quem nos separará do amor de Deus que está em Cristo?

Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cartas ao meu amigo ateu: carta 02




















Nesta carta o Pr. Dorisvan Cunha argumenta que valores morais só são possíveis mediante o fato de que Deus existe. Se alguém não crê em Deus, não está autorizado a fazer objeção ética a qualquer coisa. Sendo assim, o ateísmo não fornece uma explicação razoável para a moral humana objetiva, uma vez que o ateu não tem um fundamento sólido para definir o que é certo e o que é errado. Ouça! 

Transcrição:

Meu amigo Zaratustra,
Recebi mais uma de suas cartas e novamente fiquei desapontado com você. Desta feita por duas razões básicas: primeiro lugar, porque ao mesmo tempo em que você rejeitou minha argumentação da carta anterior onde defendi a impossibilidade do universo ter vindo do nada e por nada, você não apresentou uma resposta consistente. Segundo, porque você continua difamando deliberadamente a reputação do Deus da Bíblia. Desta feita você disse que um ser humano dotado de razão não pode adorar um “Deus que tem sérios problemas éticos e morais em seu caráter”.

Creio firmemente que suas acusações são falsas e contraditórias. Se você não crê no Deus da Bíblia, então a razão ordena que não deve haver em seu discurso objeção ética a qualquer coisa, uma vez que o fundamento de toda moral é o Deus das escrituras. Em decorrência do seu ateísmo, você não tem um fundamento sólido para definir o que é certo e o que é errado, portanto, você não tem como saber se o que Deus faz é certo ou errado.

Você disse que “não pode crer em Deus uma vez que você tem diante de seus olhos apenas um universo cruel e injusto”. Além disso, você protesta dizendo que “os cristãos praticaram muitas coisas erradas e más ao longo da História”. No entanto, penso que você não está credenciado para tal acusação. Afinal, de onde você tirou esse conceito de justo e injusto? Em que livro você descobriu que algumas coisas são más e outras são boas? Se Deus não existe, então o que é certo e o que é errado? Se Deus não existe, que fundamento racional você utiliza para discernir o justo do injusto?

O teu grande amigo, Friedrich Insano, que através de você declarou a morte de Deus, afirmou acertadamente que a morte do Deus cristão significa o fim da moral por ele estabelecida. Por mais louco que isso pareça, penso que nesse ponto a lógica de Insano está correta. Sem Deus não há moral objetiva no mundo. A conseqüência lógica é que no sistema ateísta tudo está “liberado”, inclusive ser assassino, molestador, estuprador, violento, tirano e egocêntrico. Afinal, quem em um mundo sem Deus se levantará para dizer que essas coisas estão erradas? Você? E quem te constituiu rei sobre a humanidade?

Na carta você pergunta sobre “o que eu entendo por valores morais objetivos!” Minha resposta é simples como a do Dr. Bill: “valores morais objetivos são aqueles que são válidos e obrigatórios independentemente da opinião humana”. Por exemplo: o Holocausto foi e sempre será objetivamente errado, mesmo que os nazistas que o praticaram o achassem correto. O ato de estuprar, torturar e matar aquelas seis moças em 1998 em São Paulo foi algo objetivamente errado, mesmo que o Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, achasse correto. Molestar uma criança é algo objetivamente errado, mesmo que o molestador pense que é certo e, ainda que o Brasil inteiro entendesse que isso é uma coisa boa.

Você diz que a coisa não é bem assim! Ora, Zaratustra, então pergunto a você: e se sua irmã de 15 anos fosse estuprada? Você entenderia que isso é algo moralmente correto? Você diria para todo mundo que isso é uma coisa justa? Claro que não! Então, isso é moral objetiva: Algumas coisas são certas e outras são erradas, e isso não depende da opinião humana. Agora, creio que já está claro para mim e para você que moral objetiva existe.

Porém, Zaratustra, o que você ainda não entendeu é que tais valores só existem para quem crê no Deus da Bíblia. Os cristãos têm afirmado que o caráter de Deus manifestado em sua Lei é a base da moral objetiva.
Porém, você é ateu, e na tua religião não há um fundamento sólido para se dizer que moral objetiva existe. Ao contrário, sua cosmovisão está alicerçada em uma ética relativista, que varia de cultura para cultura e de época para época. Por isso, o que é certo e errado varia de situação para situação. Portanto, o que for considerado melhor para a maioria da sociedade em uma determinada época é o que interessa a você, mesmo que seja a prática de atos intuitivamente reprováveis, como o aborto, pedofilia, adultério, etc.

Em outras palavras, o teu ateísmo não fornece uma explicação razoável para a moral humana objetiva. Você me perguntou como sei disso? Ora, além do que já disse acima, pense no que afirmou o sábio Russo Fiódor Dostoiévski: “se Deus não existe então todas as coisas são permitidas”. Creio que ele está correto. Sem Deus não há padrão para certo ou errado; sem Deus é impossível condenar gestos de opressão, discriminação, homicídios e tiranias. Sem Deus não há razão para elogiar atos de fraternidade, igualdade e amor como “coisas boas”, pois, sem Deus, bem e mal não existem.

Portanto, Zaratustra, ouça bem isso: Sem Deus a moral está morta e só falta ser enterrada. Afinal, qual o juiz determinará que o Mal é mau e que o Bem é bom? E se isso acontecer, por que aceitar tal determinação para vidas cujas origens são as de mera coincidência?

Sem Deus, qual a diferença entre praticar a pedofilia e construir centros de abrigos a menores desamparados? Não faz diferença, cara! Por quê? Porque sem Deus não há ninguém para dizer que você está certo ou errado.

Portanto, Zaratustra, como ateu, você não tem um fundamento sólido para estabelecer seu sistema de moral absoluta, a menos que você seja um cara incoerente, o que para mim já está evidenciado que o és. Você acusa os cristãos de praticarem coisas ruins, mas em face do teu ateísmo, seria essa acusação válida? Que livro é esse que você usa para discernir o bom do ruim, o justo do injusto? A Bíblia? Sem comentários...
Meu caro Zaratustra, mais uma vez você está diante de um drama impossível de ser resolvido pela religião ateísta. Você grita como John Knox e faz reivindicações morais como Calvino, no entanto, lamentavelmente você não tem um fundamento para tal acusação, posto que a conduta moral só pode ser considerada boa ou má se for ordenada por um ser acima de todos nós. Mas, como já demonstrei, no teu ateísmo há apenas opiniões culturais mutuamente contradizentes e, assim, estabelece-se que, na religião ateísta quem gritar mais alto leva a parada! Viu para onde o teu ateísmo te levou?
Se Deus não existe, então valores e deveres morais objetivos não existem. O problema é que deveres morais objetivos realmente existem e estão evidentes a todos, e então segue que Deus existe. Por isso, não sou ateu.

Pare e pense!

Você quer mesmo uma civilização sem Deus onde a moral está morta e atos bárbaros como pedofilia, estupros, assassinatos e outras desumanidades são deliberadamente estabelecidas como coisas “boas”? Ou você prefere uma sociedade cristã onde Deus é o Senhor da Criação e dita normas santas e justas para todas as pessoas que ele criou?
Minha esperança ainda é que, ao contrário de Friedrich Insano da Silva você escolha a segunda opção, caso contrário a civilização entrará em colapso e será brevemente auto-aniquilada, e você será um dos culpados por ter formado uma geração de pensadores insanos como você.

Que Deus não permita que isso aconteça.
Do amigo,

Van Cunha

domingo, 23 de novembro de 2014

Cartas ao meu amigo ateu: Carta 01


Essas cartas têm como objetivo ajudar jovens e adolescentes a dialogarem de forma mais honesta e correta com aqueles que porventura abraçaram para si a cosmovisão ateísta como opção existencial. Ouça e que Deus lhe abençoe.


Transcrição: 

Meu amigo Zaratustra,
Ontem recebi e li atenciosamente sua carta, na qual você manifesta seu ódio contra a fé cristã e tece os mais desprezíveis comentários contra o Deus da Bíblia. Confesso que isso muito me assustou, especialmente porque até um tempo atrás você era um jovem de convicção cristã, que tinha a Bíblia como seu livro favorito. Mas, tudo bem, você agora é um ateu e, quer me persuadir a tornar-me um.

Nas minhas cartas anteriores, já deixei claro a você que tenho minhas razões para não ser ateu. Não acredito que o ateísmo traria respostas satisfatórias para minha vida aqui, debaixo do sol.

Notei nesta sua última carta que você tem um ódio consumado contra Deus, o que me fez perguntar se você realmente não acredita que ele existe. Qual é o seu problema, cara? Se Deus não existe, por que você tem tanto ódio Dele? Afinal, que razão há em odiar alguém que não existe?

Outra coisa que me chamou atenção em sua carta é que suas respostas aos meus questionamentos foram as mais absurdas e irracionais possíveis. Fiquei me questionando: será que o Zaratustra está realmente fazendo uso correto das suas faculdades mentais aos responder minhas indagações? De acordo com o que você me escreveu, honestamente, penso que não!

Por exemplo, sobre minha pergunta “quem criou o universo?” você me respondeu que o universo não foi criado por ninguém, ele veio do nada e por nada. Com isso você quis dizer que a partir do nada, o universo evoluiu por meio de processos naturais que levaram à formação de átomos, moléculas, estrelas, planetas, galáxias e vida.

Eu não concordo com você! Não acredito que o universo veio do nada e por nada! Essa sua declaração não faz sentido e é uma aberração do ponto de vista científico e filosófico, uma vez que “do nada, nada vem” (ex nihilo, nihil fit).

A lógica afirma coerentemente que todo efeito deve ter uma causa. Isso quer dizer que tudo o que tem princípio de existência tem uma causa além de si. Penso que nisso você concorda comigo. Aliás, acertadamente você define efeito como “aquilo que foi causado por outra coisa”. Um relógio seria o efeito, a causa seria o relojoeiro (o homem). Um livro seria o efeito, o escritor seria a causa. Assim, é impossível ter um efeito (o relógio ou livro) sem uma causa (o homem), porque um efeito, por definição, é algo que tem uma causa. Nisso nós concordamos.

Mas, o problema é que quando se trata do universo você foge da questão e diz que o universo não tem uma causa além de si. Quero lembrá-lo, no entanto, que a ciência moderna já demonstrou que o universo teve um começo, ou seja, ele é um efeito. Assim, o universo sendo um efeito, não pode não ter uma causa e nem pode ser sua própria causa. Para que o universo existisse sem uma causa ele deveria ser a causa de si mesmo. Mas isso é uma impossibilidade, uma vez que precisaria existir antes de existir. E somente na sua religião ateísta isso é possível.

Quanto à minha segunda pergunta por que existe algo e não nada?” você simplesmente ignorou! Não me deu resposta satisfatória e apenas afirmou que essa é uma questão filosófica difícil. Que é difícil eu já sei! No entanto, Zaratustra, creio que existe algo e não nada porque algo ou alguém sempre existiu. Em outras palavras, alguém é eterno. Pode Você livrar-se do eterno e do incriado, Zaratustra? Se algo existe, deve ter havido algo que o precedeu, que sempre havia existido. Se houve um momento passado onde existia apenas o “nada absoluto”, logo nada existiria hoje, porque do nada, nada vem.

Portanto, não posso aceitar sua absurda explicação de que o universo veio do nada e por nada. Isso não faz nenhum sentido! Alguém já estava lá!

Você ainda me desafiou a provar que o universo foi criado por alguém. Quero lembrá-lo, no entanto, de que muito mais difícil do que provar que um relógio foi criado por alguém, é demonstrar que ele não teve um criador, pois, assim sendo, ele não existira.

Se tenho um relógio em minhas mãos, não posso simplesmente argumentar: “esse relógio não foi feito por ninguém, ele simplesmente apareceu, o nada o formou!” eu diria que isso sim é ridículo e absurdo. Mas, é isso que você faz quando se trata do universo. Porém, se o universo é algo real, alguém necessariamente precisa tê-lo feito.

Você disse que esse meu argumento é ilógico e irracional; porém, ilógico e irracional seria afirmar: “este relógio se formou sozinho durante o processo de bilhões de anos”, ou ele se auto-criou! Isso é filosoficamente absurdo e analiticamente falso.

Assim, Zaratustra, você está diante de um dilema. Ao mesmo tempo em que o mundo em que vivemos clama por uma explicação, você é incapaz de fornecer uma explicação consistente. Se você defende que o mundo é eterno, então estás contra a ciência moderna que mostra que o Universo teve princípio e está se deteriorando. Se você me disser que o Universo teve um princípio, então me responda: o que o causou? Se você diz que o universo veio do nada, estás contra a lei da física que diz que do nada, nada vem. Lamentavelmente você não tem respostas adequadas para essas perguntas.

Essa é a primeira razão pela qual rejeito sua opinião: Creio que o Universo tem uma causa Absoluta e maior do que ele, que não é simplesmente uma coisa, mas uma pessoa que a Bíblia chama de Deus. “No princípio...Deus...” (Gn 1.1).
Que Deus tenha misericórdia de sua vida e faça você se arrepender da loucura de existir em guerra contra Ele.

Paz,
Van Cunha